domingo, 16 de setembro de 2012

Domingo no litoral


Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a descrição na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...


Palácio da Pena, Sintra

Como todo mundo que mora perto de praia, domingo é dia de ir ver o mar. E esta viajante lá foi, com um início de dia meio nublado, dando pinta de que ia esfriar. Que nada! O calor voltou com força e lá pelas tantas, a calça comprida e o tênis incomodavam.
Jardins do Palácio de Queluz


Antes passou pelo Palácio de Queluz, residência dos Bragança e constatou que Saramago realmente tem 0jeriza por D. João VI e sua família, como manifestou no livro e já descrito aqui. A viajante concorda que era uma família feia, tanto que a segunda esposa de D. Pedro I nosso, IV aqui, Dona Amélia, , princesa de Leuchtenberg, quando ficou sabendo que iria se casar com ele, chorou três dias e três noites.

Mas o palácio é muito bonito. Não importa se é uma cópia do de Versailles, se se encomendou um arquiteto francês para fazê-lo, se seus jardins têm aquela simetria e se por dentro há o luxo clássico, nitidamente francês. É assim mesmo, nada se cria, tudo se copia e Portugal não seria nenhuma exceção, ainda mais cosmopolita que era, a fazer negócios com Américas e Índias, a relacionar-se com todas as casas nobres da Europa. Implicâncias inúteis de Saramago, porque já dizia Joãozinho Trinta, "quem gosta de pobreza é intelectual".

Em Sintra, já com um calor saariano, a cidade explode de turistas para ver o Palácio da Pena, cujo não tem nada dentro, mas está num parque sensacional, com vistas de tirar o fôlego, de quem ainda o tem, depois de subir, subir e subir. Esse sim, é uma miscelânia, com heranças mouriscas, acréscimos setecentistas e mais.

Lá ao longe, se vê o Castelo Mourisco, uma fortaleza de pedra, aonde  não levam os viajantes, porque o consideram feio. Era lá que a viajante queria ir, para ver se se parecia com o "Game of Trones", mas o tempo não chega, porque além do mais se tem de comer um travesseiro ou uma queijadinha na Periquita.

Por último, vai-se ao Palácio Nacional de Sintra, o mais feio, mas mais original, também com influência moura, como quase tudo na Península Ibérica, o que leva essa viajante a admirar mais os árabes, por terem vindo tão longe, por terem ficado por aqui por 800 anos. 

Mas um cearense que está a morar nas Arábias, disse que tempo não tem significado para eles, tudo é eterno, o que leva a outra reflexão: "tempo é uma invenção dos suíços para vender relógio".

Para Cascais, o guia acha bobagem a visita, o que a viajante não concorda. É um balneário muito bonito, coisa chique, dos tempos áureos da Europa, quando os bilionários iam e vinham entre Saint Tropez, Mônaco, Saint Moriz, Estoril, só no "laissez faire". Bons tempos, históricos, diante da crise que ora acomete não só Portugal e Espanha, mas outros europeus. E os ricos já nem podem mais viver seu glamour de direito.

Em Estoril, os viajantes, quatro brasileiros, fazem uma volta daquelas que Ayrton Senna fazia, quando corria por aqui e aqui morava. Não veem nada, porque o guia é um puto de um ex-hippie de anel de prata no dedo, cabelo desgrenhado, vegetariano e bandeirinha de pista no autódromo e "acha tudo isso um saco".

3 comentários:

  1. Troca o guia! rs.
    Muito bons seus relatos desta viagem. Aproveite!

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  2. Como assim, nem uma comprinha? Nadinha na nossa Zara querida???? Nem uma bermuda para amenizar o calor? Mas aposto que na Periquita, rolaram vários travesseiros, que aliás nem são tão bons assim, melhor mesmo são os pastéis, os de Belém!!!rsrsrs. Ódio daquela Manuela bigoduda que não me levou em Queluz. Se lá é parecido com Versalles ou não, como afirma saramago, essa brasileirinha aqui agora não mais vai poder dizer. Não curti. Ainda mais com a derrota do galão hoje por 1X0 por Náutico pode?!!!

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  3. Ah não, essa foi a pior notícia. Não deu pra comprar o Náutico não? E olha que nas conversas com o puto do guia, na hora do almoço, falei do Galão, pq ele tava todo todo com uma piadinha: "Flamengo?" e dava uma cuspidinha. E eu falei: "Fluminense"? E dei uma cuspidinha só imitando, claro!). Quem tá na frente? É o Pó de Arroz?

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