Braga, no Norte de Portugal, é a capital da região do Minho. Foi fundada pelos romanos como Bracara Augusta e foi conhecida, durante muito tempo, como a cidade dos arcebispos, cujos mandavam aqui e algures, mais do que os reis, quando os havia. Aqui ficava a prelazia, ou seja, o manda-chuva de toda a região norte do país e mais parte da Espanha, então não era pouca coisa.
Conserva ainda hoje seu casco antíguo que é muito agradável de se passear, o que só se fez à noite, devido aos outros compromissos turísticos da viajante, que afinal deixou registrado com a guia, que não é possível vir a Braga e não vê-la de dia e, pior, não visitar a Sé Catedral, a mais antiga igreja de Portugal, erguida a partir de 1.070, sobre os vestígios de um templo romano.
A cidade convive bem entre passado e futuro, passado em suas relíquias históricas, futuro nas pesquisas de sua importante Universidade do Minho, entre elas a de nanotecnologia. Braga é uma cidade de universitários.
Mas é também famosa por sua indústria têxtil, que não podendo concorrer com a barateza dos produtos chineses, achou seu caminho na alta qualidade, o que a faz ser fornecedora de grifes famosas como a Yves Saint Laurent.
E Braga começa a ser conhecida também por um azeite recentemente criado aqui, com partículas de ouro, isso mesmo, com partículas de ouro, porque dizem que faz muito bem à saúde e é muito do agrado dos senhores ricaços russos.
Na sua excursão noturna, cheia de receios, porque por volta de 20h30, a cidade já estava quase deserta, onde estão os estudantes que gostam sempre de ficar aqui e ali, a viajante vai espiar a Sé Catedral de Braga.
E fica feliz com o resultado: um imponente e austero prédio em pedra granítica, que não é mais todo original, claro, mas que pelo menos não sofreu acréscimos barrocos, implica Saramago. Iluminado ao alto, com uma tímida lua ao canto é um convite à imaginação solta dessa uma, chão molhado de chuva de dia inteiro, tempo frio, imagens de vidas passadas.
Braga é assim: uma recriação de ideias, um bacalhau à braga muito bom, batatas em rodelas fritas, não crocantes, posta do peixe frita no azeite recoberta por molho do próprio, cebolas, pimentões vermelhos e verdes, azeitonas pretas e colorau, para dar aquela cor vermelho-ocre.
E uma visita rápida nos santuários de Sameiro e do Bom Jesus, que não chegam a ser preciosidades artísticas ou históricas, mas o primeiro, dedicado a Nossa Senhora da Conceição, é o segundo centro de peregrinação de Portugal, atrás de Fátima. E o Bom Jesus destaca-se pela beleza do parque natural à sua volta e pela imensa escadaria, quase a tocar o céu.
Viana do Castelo - Bem perto da Espanha, está Viana do Castelo, que nunca teve castelo algum. Tem uma travessia espetacular sobre o Rio Minho e uma vista ainda mais, no miradouro de Santa Luzia, no conjunto arquitetônico da igreja dedicada à santa protetora dos olhos.
É um templo que está no alto de uma encosta, por onde se chega por um estreito e tortuoso caminho de pedra, em ônibus, mas a vista compensa. Lá em baixo, o mar, a praia, a cidade e as serras ao fundo.
Mesmo com chuva é um passeio que agrada à viajante que gosta de misturar riquezas históricas e artísticas com paisagens naturais para refrescar os olhos, discípula aplicada que é, nessa viagem, de José Saramago.

