quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sons do mundo e coliseus

 Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...


"A  vida não é aquilo que vivemos, é aquilo que imaginamos viver" - Trem Noturno para Lisboa, Pascal Mercier.

 


Da fachada, uma janela se abre para o céu

Ritchiele e sua estrela solitária

Todas cidades têm seus sons. Buzinas, gritos, apitos, altofalantes. Lisboa tem uma sonoridade suave, discreta, boa de se ouvir.

Em cada praça, ou paço, ou largo, como chamam, há um artista cantando, tocando.

No Largo do Carmo, depois de passar pelo Largo do Chiado e seus fadistas, roqueiros, folks, nas portas de lojas da rua Garret, a viajante deu com um cantor brasileiro. E ouviu Tim Maia, Belchior, Zé Ramalho.

Chega-se perto e o garoto está vestido com uma camisa da estrela solitária.
- "E essa camisa do Botafogo aí?"
- "Ah, não, não sou do Botafogo, essa é emprestada. Sou cruzeirense, uai!"

O que faz um mineiro numa praça de Lisboa?

- "Aprendi a tocar aqui, pensando em como haveria de ouvir as músicas brasileiras. Estou há quatro anos."

E abre um sorriso largo, maroto, como convém a um garoto chamado Ritiele, que pode ser que se escreva Ritchiele, assim, talvez uma homenagem de sua mãe, fã de Ritchie e sua "Menina Veneno".

Ruínas e coliseus
Mas a viajante foi mesmo rever as ruínas do convento do Carmo, ali no Largo, mas não entra, pois já o havia feito dias antes e não quer pagar mais.

Prefere sentar-se nas escadas em frente e ficar admirando a fachada que resistiu ao terremoto de 1755, a imaginar coliseus em Lisboa, ambos, o de Lisboa e o de Roma, lembranças em pedra de outros tempos