quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Enfim o Castelo de São Jorge

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a descrição na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...





Após andar muito bem de braços dados com  Saramago, tentando seguir seus passos, a viajante teve com ele sua primeira divergência, hoje. "Até que duraram muito as boas graças", diriam aqueles que a conhecem.

Foi na visita ao Castelo de São Jorge, que Saramago considerou menos significativo do que os de Marialva e de Monsanto. Mas como a viajante não os viu a esses, se encantou com o  São Jorge, perfeita fortaleza medieval, do século XI, relíquia da presença moura na Península Ibérica. É a cidadela medieval Alcáçova. E melhor ainda, há vestígios de outros ocupantes naquela colina, datados do século VII A.C., como fenícios, visigodos, romanos.  É um mergulho profundo no passado, na história, presente em pequenos artefatos, como potes, pratos, ossos, cerâmica diversa. Amuada com Saramago, a viajante viu ali o cenário perfeito dos livros de R.R Martin,  Guerra dos Tronos, e se sentiu vingada.

E em relação à vista, é preciso concordar com Saramago: é uma visão inigualável de Lisboa, com a ponte 25 de Abril sobre o Tejo, o Cristo Redentor deles, do outro lado do rio, a Sé de Lisboa, e o casario de telhado vermelho. Só não se vê nenhum pavão ou cisne, como viu o escritor.

Vizinhos
Para chegar hoje ao Castelo de São Jorge, a viajante fez a costumeira descida a pé e descobriu outros vizinhos ilustres de sua rua, além do Jardim do Príncipe Real. O Tribunal Constitucional (Supremo), fica logo abaixo na sua rua (O Século). Depois um prédio muito bonito do Corpo de Bombeiros e a casa onde nasceu o Marquês de Pombal. Vizinhança fina!

Mas para o castelo toma o elétrico 28E, que é um passeio mais agradável do que subir mais de dois quilômetros ladeira acima. E o elétrico é mais caro do que o autocarro. Custa 3,50 euros, enquanto o autocarro custa 2,50, burrice desta anta que não comprou ainda um passe de transporte integrado.

Ao final do dia é voltar para casa a pé, dar numa praça chamada Alegria, descançar aí, vendo os idosos de papo e os pombos bebendo água da fonte com chafariz, que as há em todo lugar, e subir vendo um edifício meio árabe e descobrir que é a Casa de Macau, já quase na boca de sua rua.

Primeiras descobertas

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a descrição na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...



Vem lá o elétrico para a Praça Camões


Andar sem rumo é interessante. De repente se dá num sítio que não estava programado. Assim foi que a viajante chegou no Largo da Academia Nacional de Belas Artes, um oásis naquele mar de turistas, e pode sentar-se a descansar e a desfrutar do lugar sozinha, vendo o prédio amarelo, muito bonito, da Faculdade de Belas Artes. 

Pode ver o Teatro Dom Carlos, onde um grupo da melhor idade, de uma cidade do interior qualquer, todos de camisa verde, faz algazarra como passarinhos ou crianças.

E pode também dar em um salão de beleza como dizemos no Brasil e encontrar uma capixaba, dona, trabalhando aqui há 10 anos. E parar para "arranjar o cabelo", fazendo uma escova de "vassoura", daquelas bem esticadinhas.

Esta viajante já é quase uma nativa, ao fazer comprar no supermercado e talvez vá hoje ver o Castelo de São Jorge, pegando um elétrico que a deixará na Graça.

Tudo são possibilidades.