domingo, 14 de outubro de 2012

Budapeste e sua névoa

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...


A viajante apostou todas suas fichas em Budapeste e perdeu. A cidade a recebeu de cenho fechado, cara amarrada, bico grande. Névoa baixa a encobrir tudo, inclusive o Rio Danúbio, onde faria um passeio à noite para vê-la, a cidade, iluminada, talvez fique assim bonita, como uma pintura impressionista, Monet, preferido dessa uma, se aqui estivera teria pintado assim, meio impressão, meio verdade. Budapeste impressionista.

Mas não perdeu a viagem, porque Budapeste, com garoa ou não, é uma beleza, porque tem Buda e tem Peste e uma ponte sobre o Danúbio a unir as duas partes, feita pelo escritório do Eiffel, então é aquela exuberância de metal, mesmo material usado no mercado que é também do Eiffel.

E por isso não se pode importar com o tempo e calha de ir-se explorar a cidade, começando pelo Castelo, um bairro em Buda, que fica nas colinas, enquanto Peste está na planície, que não tem castelo nenhum, a primeira, mas já teve, este destruído na guerra com os turcos, ô gente que gosta de lutar nessas bandas de cá do mundo.

Mas há uma muralha em forma de torres, cercando toda a colina e guardando a Igreja de Sao Matias que tem um telhado todo em cerâmica colorida, verde, laranja e ocre, cuja não se vê por dentro, porque está em obras, cheia de andaimes.

Outra diferença é que Buda é a parte antiga da cidade, com o charme de tais e Peste é a nova, a com vida mais vibrante e a viajante concluiu logo que preferiria morar na primeira, se lhe fosse pedido escolher.

Há a praça de sempre, Praça Monumental, lá com a estória dos que fundaram a Hungria que não passava de tribos nômades. E fica-se sabendo que os húngaros não são os eslavos que se imaginava, esta viajante com uma imaginação grande demais a pensar em epopéias de hunos atravessando os Urais, sabe-se lá onde fica isso, para vir dar uma espiada na Europa, antes de euros, não a moeda, mas os estados políticos atuais.

Mas enfim, Hungria, com seu pequeno território, perdidos muitos bocados para uns e outros vizinhos depois da I Guerra, mantém sua originalidade, são eles mesmos, ninguém tasca viram primeiro.

Então vamos sair para o Danúbio e depois se conta o resto.