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| Passeio pelas pontes do Douro |
Ribeira - Andar pela Ribeira, ruas estreitas, apertadas, escuras,
apesar do lindo sol e céu azul, é sonhar com a história da cidade, o Rio
Douro e suas enchentes, seus vinhos, riqueza e luxo, decadência e
]
redenção, Suzanne Chantal em Ervamoira, livro que fez a viajante
amar a cidade sem tê-la visto jamais.
apesar do lindo sol e céu azul, é sonhar com a história da cidade, o Rio
Douro e suas enchentes, seus vinhos, riqueza e luxo, decadência e
]
redenção, Suzanne Chantal em Ervamoira, livro que fez a viajante
amar a cidade sem tê-la visto jamais.
E agora vê e renova seus amores, ainda que não tenha ido à Ribeira à
noite passear ali beira do rio de tantas histórias e tantas dores
causadas pelas enchentes antigas, dissuadida de ir em sítios tão
escuros, sozinha, por três passantes a quem a uma pediu informações.
Mas passeia-se de manhã pela rua dos Canastreiros, da Reboleira,
praça da Ribeira e vê-se ali o comércio antigo dos vinhos exportados
para Inglaterra, as adegas, Ervamoira na cabeça.
O Porto é também o passeio pelo Douro, vendo todas as pontes, D.
Luis, Dona Maria, que é do Gustave Eiffel, dono dos artefatos de metal
espalhados Europa afora e não só a torre.
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| O Porto, visto do lado de cá,de Vila Nova de Gaia |
Vila Nova de Gaia - É passar para o lado de lá, Vila Nova de Gaia,
que lindo nome para uma cidade, a visitar a cave da Ferreira e sua
dona Antônia, estórias de passado, seria ela a mulher do Ervamoira,
pergunta a viajante com sua curiosidade indiscreta, não, não é.
E passar pelo porto de Leixões, hoje só mercantil, a imaginar um
pobre imigrante a sair dali, em 1908, vindo de uma aldeola chamada
Tarei, a pegar um navio da Mala Real Inglesa, vindo de Southampton,
na Inglaterra.
Livraria Lello - Mas é também fazer uma meia maratona para
encontrar a Livraria Lello, junto com um casal curitibano maluco, que
despenca rua acima, rua abaixo, a viajante botando os bofes pela boca
e eles nem tchuns, são bicicleteiros, ou bugeiros, já que aqui bicicleta
é buga. E chegar a tempo de ver a lindeza de livraria, com uma escada
em concha toda vermelha, os degraus abrindo feito leque para um
lado e para o outro, mas que não se pode fotografar, porque isso, as
fotografias do lugar, eles vendem.
Riqueza e luxo – E ainda visitar o Palácio da Bolsa, a de valores,
que pertence à Associação Comercial e ver como a opulência povoa as
cabeças. Umas salas muito ricas, um piso em madeira machetada,
que essa uma admira demais. E o grand finale, a sala árabe,
milimetricamente recoberta de oiros, afrescos vermelhos, azuis, do
teto ao chão, para impressionar bem os visitantes que faziam negócios
no Porto, principalmente as gentes de Lisboa, para quem os daqui
queriam mostrar que eram muuuito mais ricos.
Luxo também na Igreja de São Francisco, logo ao lado, 300 quilos de
ouro em retábulos, colunas, rococós, estátuas, coitado de São
Francisco, tão pobrezinho. Mas explica-se que a igreja originalmente
não era assim e foi o povo do século XVIII, os novos ricos, sempre,
como ainda hoje, exibicionistas e incultos, que faziam doações para a
igreja em forma de adornos. Algumas partes estão ali nuas, pedra
crua, a mostrar que era franciscanamente humilde, como convinha ao
seu santo.
Mas a vida é assim, passam-se os anos, cada qual com seus
pensamentos, seus gostos de época e assim se faz a história dos povos,
e tudo é válido, a expressar os costumes e vivências de cada época.
Adeus Porto, onde ao final, a viajante passeia sem rumo, com uma
paulista das antigas, frágil,que quase toma um tombo, e sentam-se na
Confeitaria Majestic, a mais antiga, bonita e famosa da cidade e finge-
se por pequenos tempos, que se é rico, nobre como Chantal descreve.

