sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Porto, luxo e riqueza

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...




Passeio pelas pontes do Douro


Ribeira - Andar pela Ribeira, ruas estreitas, apertadas, escuras,

apesar do lindo sol e céu azul, é sonhar com a história da cidade, o Rio

Douro e suas enchentes, seus vinhos, riqueza e luxo, decadência e
]
redenção, Suzanne Chantal em Ervamoira, livro que fez a viajante

amar a cidade sem tê-la visto jamais.

E agora vê e renova seus amores, ainda que não tenha ido à Ribeira à

noite passear ali beira do rio de tantas histórias e tantas dores

causadas pelas enchentes antigas, dissuadida de ir em sítios tão

escuros, sozinha, por três passantes a quem a uma pediu informações.

Mas passeia-se de manhã pela rua dos Canastreiros, da Reboleira,

praça da Ribeira e vê-se ali o comércio antigo dos vinhos exportados

para Inglaterra, as adegas, Ervamoira na cabeça.

O Porto é também o passeio pelo Douro, vendo todas as pontes, D.

Luis, Dona Maria, que é do Gustave Eiffel, dono dos artefatos de metal

espalhados Europa afora e não só a torre.

O Porto, visto do lado de cá,de Vila Nova de Gaia


Vila Nova de Gaia - É passar para o lado de lá, Vila Nova de Gaia,

que lindo nome para uma cidade, a visitar a cave da Ferreira e sua

dona Antônia, estórias de passado, seria ela a mulher do Ervamoira,

pergunta a viajante com sua curiosidade indiscreta, não, não é.

E passar pelo porto de Leixões, hoje só mercantil, a imaginar um

pobre imigrante a sair dali, em 1908, vindo de uma aldeola chamada

Tarei, a pegar  um navio da Mala Real Inglesa, vindo de Southampton,

na Inglaterra.

Livraria Lello - Mas é também fazer uma meia maratona para

encontrar a Livraria Lello, junto com um casal curitibano maluco, que

despenca rua acima, rua abaixo, a viajante botando os bofes pela boca

e eles nem tchuns, são bicicleteiros, ou bugeiros, já que aqui bicicleta

é buga. E chegar a tempo de ver a lindeza de livraria, com uma escada

em concha toda vermelha, os degraus abrindo feito leque para um

lado e para o outro, mas que não se pode fotografar, porque isso, as

fotografias do lugar, eles vendem.

Riqueza e luxo – E ainda visitar o Palácio da Bolsa, a de valores,

que pertence à Associação Comercial e ver como a opulência povoa as

cabeças. Umas salas muito ricas, um piso em madeira machetada,

que essa uma admira demais. E o  grand finale, a sala árabe,

milimetricamente recoberta de oiros, afrescos vermelhos, azuis, do

teto ao chão, para impressionar bem os visitantes que faziam negócios

no Porto, principalmente as gentes de Lisboa, para quem os daqui

queriam mostrar que eram muuuito mais ricos.


Luxo também na Igreja de São Francisco, logo ao lado, 300 quilos de

ouro em retábulos, colunas, rococós, estátuas, coitado de São

Francisco, tão pobrezinho. Mas explica-se que a igreja originalmente

não era assim e foi o povo do século XVIII, os novos ricos, sempre,

como ainda hoje, exibicionistas e incultos, que faziam doações para a

igreja em forma de adornos. Algumas partes estão ali nuas, pedra

crua, a mostrar que era franciscanamente humilde, como convinha ao

seu santo.



Mas a vida é assim, passam-se os anos, cada qual com seus

pensamentos, seus gostos de época e assim se faz a história dos povos,

e tudo é válido, a expressar os costumes e vivências de cada época.


Adeus Porto, onde ao final, a viajante passeia sem rumo, com uma

paulista das antigas, frágil,que quase toma um tombo, e sentam-se na

Confeitaria Majestic, a mais antiga, bonita e famosa da cidade e finge-

se por pequenos tempos, que se é rico, nobre como Chantal descreve.