domingo, 9 de setembro de 2012

Primeiro dia em Lisboa e a carteira se foi

bacalhau na brasa e vinho verde
Coloquei Saramago  e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem e vim descobrir...


Dou minha primeira voltinha por Lisboa e quando vou pagar o bilhete no Elevador Santa Justa, cadê a carteira? Sumiu da mochila, com um cartão de crédito, um cashpassport, uns dinheiros em euros e uns em reais, minha identidade, título de eleitor, habilitação. Também não sei quem carrega isso para o exterior, quando tem o passaporte. Esse ficou, graças a Deus.

Acho uma delegacia fácil e um moço bonito de olhos azuis, me atende e faz tudo por mim, no bom sentido. Fico no telefone da delegacia, por mais de 1h30, falando com o povo dos cartões.  Cancela, pede  de urgência e tal e vou falando com ele sobre a facada que os funcionários públicos daqui tomaram do Passos Coelho, o primeiro-ministro.
Os trabalhadores públicos e privados vão ter uma redução nos salários, por causa do aumento da contribuição à previdência, de 7%, o que equivale a dois salários no ano para os primeiros e a um, para os segundos. Depois falo mais sobre o assunto.

Disse pra ele: faz greve, lá no Brasil a Polícia Federal ficou 15 dias parada, aliás, trabalhando, porque quando querem aporrinhar bem a gente eles trabalham e engarrafam tudo. Não sei se o moço entendeu.

Voltando à carteira: explico tudinho pra ele: que é uma carteira marrom de oncinha da Guess. "O que é marrom de oncinha"? estranha ele. Mostro a cor num papel e faço o desenho de oncinha, aquelas patinhas.

Digo que passei pela Praça Camões, onde parei um pouquinho para apreciar, desci a rua e dei com o Café A Brasileira, com aquela estátua do Fernando Pessoa, disputadíssima para fotos. Comi um bacalhau na brasa com batatas e um vinho verde do Alentejo, Quintas de Aveleda. Passei por uma igreja, da Misericórdia, como boa mineira que não pode ver uma e já vai logo entrando e fazendo seus três pedidos de praxe e meti-me rua abaixo, assim mesmo, já treinando o linguajar lusitano e de José Saramago, fui dar no elevador de Santa Justa. Aí descobri que não tinha mais a marrom de oncinha.

O resto é história, como todo Portugal, onde em qualquer rua que se passa há um casario antigo, uma praça comemorativa, uma catedral cheia de ouro.

Vou voltando para casa, neste primeiro dia de Lisboa, sem deixar que a ação do "carteirista" me tire o bom humor. Afinal vou ver coisas e coisas por um bom tempo e não é uma açãozinha desse sem escrúpulo que vai me derrubar. O moço da delegacia até me explicou que os "carteiristas"das antigas tinham um código: não roubavam de nenhum português e, dos demais, ficavam só com o dinheiro, deixando os documentos nas portas das delegacias. Adorei esses das antigas, pena que o meu deve ser da turma nova, sem qualquer código de ética profissional.