quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Oceanário para desanuviar


Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...

Na falta de um "sermão aos peixes", que inicia o instigante Viagem a Portugal, de José Saramago (página 15), a viajante vai de oceanário e se sente tal e qual o português, na sua fala aos habitantes de mares e rios.


Medalha de ouro em nado sincronizado
  Quando as igrejas e suas belas imagens começam a embaralhar-se na memória, é preciso dar um tempo e ir ver o dia, o mar/rio, ou outra coisa qualquer.

Por isso, com a ida à Estação do Oriente, para comprar o bilhete para Évora, a viajante dá de cara com o Parque das Nações, onde aconteceu a Exposição Mundial de 1998, que Portugal sediou. E bem ali, vai passear no teleférico, sobre o Tejo. O dia está nublado, mas o passeio é giro (bonito).



A viagem dos pinguins
 
Arraia azul
 
Mas gira mesmo é o Oceanário, podem dizer que aquários são iguais em todo o mundo. Pode ser, mas o de Lisboa, atravessando o shopping Vasco da Gama, vendo o pavilhão das bandeiras, é muito gira, giríssimo. E dizem, o maior da Europa. Aliás, acho que os portugueses são de Itu, porque aqui há muitas coisas "mais" e "maiores", como já disse quando da ida a Setúbal.

O Oceanário é sobre o Rio Tejo, com aquários de diversas partes do mundo, dos oceanos Atlântico, Pacífico, Índico.

A viajante ficou feliz de ver pinguins, o que não conseguira na Patagônia, em abril, porque eles, os pinguins, já haviam migrado para o Brasil, sabe-se lá porquê.

Os pinguins sao quase uns pássaros maiores, mas os daqui, devem ser filhotes, a viajante não sabe, porque fica esperando aqueles grandões do "A viagem dos Pinguins", ou o "Pinguim Imperador", escapa-lhe agora o nome do filme e não os encontra, como aconteceu na Patagônia. Sente-se como então, ludibriada, menos talvez, porque aqui é Portugal e não a Patagônia, onde deveriam morar mais amiúde.

Bonito mesmo é o aquário central que se pode vir em três níveis e tem ali uma variedade de peixes, pequenos, médios, grandes, arraias, tubarões, bacalhaus e tais e a viajante pensa como uns não comem os outros, mas não encontra ninguém para perguntar, também tem vergonha de fazer uma pergunta tão estúpida.

Gosta especialmente de um cardume quase transparente. Acredita que eles devem ganhar medalha de ouro na Olimpíada do Brasil, em nado sincronizado. Também aprecia uns peixes do Índico, muito rosas, roxos, amarelos, violetas, ton-sur-ton. Arco-iris que inspirou certa bandeira, certamente. E ainda de uns seus "barentes", as lontras.

Há vidas estranhas no mar: peixes areia, peixes chatos, peixes lerdos, peixes sem o serem como os pinguins e a viajante pensa que a vida é que é estranha, porque tenta imitar a natureza e aí vira avacalhação, com perdão da palavra, pois.