quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Guimarães, capital europeia da cultura

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...

Nossa Senhora de Oliveira e a oliveira ao lado

Guimarães, menos de 30 km de distância de Braga, ambas
importantes cidades do Minho, Norte português, é engraçada,
explica-se ao final. Diz-se daqui que é o berço da nacionalidade
portuguesa, porque era da cidade o D. Afonso Henriques, aquele que
saiu a cavalo a unir as terras da Lusitânia, que assim se chamava
antes de ser Portucália e Portugal, a expulsar os mouros e a construir
o estado português, um dos primeiros da Europa.


É uma cidade, com seu centro histórico, bonita de se ver, 
estudantes universitários a passear suas capas longas e pretas, faça
sol ou faça chuva. Há restos da muralha que cercava a cidade, essa
sim original e uns passos da Via Sacra espalhados aqui e ali, o que
deve tornar a Semana Santa e a procissão de Sexta-Feira Santa, muito
giras.


Há o largo com a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, a lembrar à
viajante seus tempos de menina e adolescente em Oliveira, Minas
Gerais, também com sua Matriz desse nome. Há a praça do Toural
 com uma igreja tocando o sino, mas fechada, e uma senhora sentada
num banco com quem a viajante conversa, mas ela só não sei pois,
não sei pois, se é Toral ou Toural, vai que a gente fala do modo errado,
não é?

E há o doce, toucinho do céu, cujo não se pode deixar de comer. A
viajante que é gulosa de doces come logo dois, aquela massa molinha
de ovos e amêndoas, recoberta por uma camada fina de açúcar de
confeiteiro e depois tem de tomar um sal de frutas Eno. Há pecado da
gula, mas depois se passa em outro templo, outra igreja, outro
santuário e pede-se perdão. Mas não há perdão para as aderências na
cintura e na barriga. Dessas, Deus não entende.

Castelo de conto de fada -
Guimarães é engraçada porque a maior


atração turística da cidade é o Castelo de Guimarães ou dos Duques

de Bragança, aqueles mesmos, D. João VI, D. Pedro I. Só que o que
existe é uma recriação do Antônio Salazar, dia cismou que tinha de
restabelecer alguns brios aos portugueses e mandou fazer aquele
castelo imitando mal e mal o que foi ali dos Bragança e que acabou-se
de abandono, após o fim da monarquia, em 1910 e o exílio do último
rei, D. Manuel II e sua mãe, dona Amélia, ela para Paris, porque era

da Casa Orleans e ele para Inglaterra.

É estranhíssimo, Saramago tem razão, não por ser imitação, mas pelo
interior todo recopiado de outras eras, aquele non sense de tapeçarias
a contar histórias da glória das conquistas portuguesas, imitações
feitas em Espanha, além de peças compradas a antiquários, enfim,
um engodo só. Talvez sirva para ensinar história para os miúdos  e ter
contribuído, como atração turística, para que a cidade fosse escolhida
como a capital europeia da cultura 2012, o que pelo que se viu, está
sendo cumprido com muita pompa e circunstância.

E a sua gente é muito simpática, filosofa a viajante depois de prosear
com uma garota do restaurante, que lhe conta sobre as roupas
penduradas nas janelas e lhe indica a melhor confeitaria da cidade,
pois, obrigadinha.