terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ebora Liberalitas Iulia (Évora)

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...


Templo Romano ou de Diana


Nossa Senhora do Leite

Um dos lados da catedral de Sta Maria, grandiosa
Com o tempo nublado, ameaçando chuva, já que por aqui as estações são muito obedientes, foi só entrar outono e já há um vento no ar e umas pancadinhas de chuva, além das echarpes femininas e masculinas a passear por aqui e ali, a viajante foi para Évora.

Cedinho, cedinho, porque foi tomar o comboio na estação do Oriente,  bem longe, quase no aeroporto. mas como boa mineira, ao invés de pegar os metrôs como havia programado, tomou um táxi, medo de perder o comboio, mineiro não perde o trem.

Não vai a viajante descer a detalhes sobre Évora, deixa para que quem quiser que visite o site aqui.

Mas é um passeio imperdível, afinal lá estiveram os romanos que a fundaram, e há seus vestígios no Templo Romano, ou de Diana, em muralhas e calçadas. Mas antes deles, estiveram outros povos, presentes nos monumentos megalíticos mais antigos que Stonehenge, aquele da Inglaterra, parecendo um chapéu. O de Évora é do século V, A.C, dá pra imaginar o que é isso?

Igrejas e muralhas

E tem medieval, gótico, setecentista, o que faz da cidade, cujo centro histórico está dentro das muralhas medievais, Patrimônio Cultural da Humanidade. São igrejas e mais igrejas, que a viajante, de tanto visitá-las por toda a parte, já se esqueceu da maioria. Mas a de Santa Maria, Évora, é especial. É uma fortaleza, pendurada em vários desníveis, o que deve ter exigido muita imaginação dos arquitetos da época, séculos XIII e XIV. Vai-se rodeando-a e a cada lado é uma surpresa.

 E foi também no Palácio de Cadaval, onde viu a segunda Nossa Senhora do Leite, linda, com o seio de fora, um bicão à mostra e o menino Jesus com a mão estendida para ele.  Não se lembra onde viu a outra, só se lembrou de outra mãe a amamentar seu filho que só mama e dorme.

Capela dos Ossos
Visita que a viajante dispensa, de uma próxima vez, é a tal Capela dos Ossos, junto à Igreja de São Francisco, que ideia a do frade construir a capela com os ossos de todos aqueles que morreram na cidade, por uma peste que houve naquelas bandas. É horrível a sensação. A viajante, que tem muita imaginação, chegou a sentir até cheiro de ossos, o que não é possível, devido à antiguidade do lugar, muito "trash", para a sensibilidade de alguns, como esta aqui. Saramago também não gostou, está entre os sensíveis.

Bem, a viajante acabou falando o que se propôs a não falar, ossos do ofícios, sem trocadilhos com a capela. Mas é que no comboio, ao chegar na estação da cidade, pergunta a uns moços como faz para chegar ao centro histórico e recebe a oferta de uma carona, "porque há o ver e o olhar", disse um deles, o que a levou a mudar o horário de voltar.

Mas depois de reservar o hotel e dar suas voltas, resolveu desmudar o horário e voltou antes, coisas de estranheza que se sente de repente, sem explicações. Influências, quem sabe do tempo cinza, sem ser os "57 Tons", ou dos ossos daqueles infelizes sustentanto paredes, ou saudades de casa, mesmo que essa casa seja em Lisboa.

E em casa, com um arzinho de frio, sem sê-lo, toma um vinho tinto Dão, "Meio Século", muito bom, feliz de estar entre conhecidos: seu sofá verde, suas paredes amarelas, sua Tv ligada na RTP.