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| Sobre a Ponte Carlos em Praga |
Ouvir Michel Teló Europa afora é realmente uma praga, até em Praga. Mas a viajante desenvolveu uma teoria: os vendedores, garçons e quetais descobriram que os brasileiros adoram saber que toca um conterrâneo tão longe de seu país e se quedam felizes e abrem a mão mais do que o fazem normalmente, que já é muito, coisas de baixa estima nacional.
A teoria comprova-se com a guia local, uma desmilinguida fria como uma noite de inverno da sua cidade, por exemplo, que não sai por aí a cantar “ai, ai, se eu te pego”, mas vários garçons ao longo da rua da cidade velha, sim
Então é isso, depois da tradicional meia maratona pelas principais atrações do lugar, como o Castelo de Hardcany, que a viajante achou especialmente sem graça, a exceção dos jardins, pela igreja de São Vito, cuja não lembra mais nada e pela linda e adorável igreja do Menino Jesus de Praga, aí sim, uma visita compensadora, por se ver as pessoas comovidas diante da pequenina imagem, vai-se andar pelo resto das ruas medievais.
Aí todo mundo atravessa a Ponte Carlos, com uma tarde bonita de sol, nem tão frio assim e fica-se ali naquele anda para cá, anda para lá. Mas a uma já ia se esquecendo de falar na Torre do Relógio e a Torre da Pólvora. O relógio é mesmo lindo, ao soar as horas e aquelas figuras na lateral fazerem uns gestos, dizem que comandadas por um mecanismo medieval, quem garante.
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| Telhados da cidade pequena, Praga |
Mas o que a viajante gostou mesmo de Praga foi do Teatro de Sombras, o Teatro Negro, que apesar de dizerem que é o único do mundo, sabe-se que tem na Bulgária e outros lugares. A encenação foi “Sensações de Alice”, uma interpretação rica, livre, desmistificadora e doida de Alice no País das Maravilhas.
No início, Alice come uma maça alucinógena, pareceu à viajante, porque logo em seguida ela “viaja”, em cambalhotas psicodélicas de luzes, sombras, cores e por aí vai, num riquíssimo arsenal técnico de ilusionismo, sombras, bonecos gigantes, imagens projetadas. Mais não conta para que vocês mesmos venham conferir, já que ao contrário da Brodway, que vende o DVD e até as calçolas da Mary Poppins, em Praga o Fantástika, grupo que monta o Sensações de Alice há 12 anos, não libera nada, já imaginou, entregar a galinha dos ovos de ouro para o mundo inteiro copiar?
Sair do teatro à noite, e ver a Praça do Relógio toda iluminada, subir à torre e ver a cidade lá de cima e ainda fazer a foto com um bardo gordo e ruivinho não está no programa e é preciso experimentar.
É preciso ainda saber as histórias, a de São João Nepomuceno e os pedidos concedidos ao se tocar sua estátua na Ponte Carlos e ficar com uma pergunta rolando na cabeça, por que em Minas Gerais tem uma cidade chamada São João Nepomuceno, se o santo era de tão longfe e sem ter a quem perguntar. E perguntar à guia desmilinguida, se aquela praça ali ao lado é a de São Wenceslau, onde aconteceram os desfiles em comemoração à saída dos russos do país, em 1968, e que todos conhecem como “Primavera de Praga” e ouvi-la dizer, quiçá pelos seus pouco mais de 25 anos, que “aquela praça não tem atrações turísticas, é só uma praça simbólica”. “Ô, põe simbólico nisso”, emenda a viajante com ironia, mas a extensão linguística do português da tcheca não chega a tanto.
Dresden – E rapidamente a viajante se redime da postagem de Berlim, que começou com aquela besteira de que os berlinenses têm um pé no passado, só porque têm mania de reconstruir tudo.
Só quem não teve guerras arrasadoras, nem nenhumas em seu país, pode falar tamanha bobagem. E depois, humildemente, reconhecer que é tocante o esforço das cidades europeias atingidas pela destruição da II Guerra, de repor tudo nos eixos, da melhor forma possível. E assim faz Berlim e fez Dresden, uma das mais castigadas na guerra.
Dresden é um símbolo do esforço de recuperação da identidade de um povo. Cerca de 80% de sua parte histórica foi arrasada com bombas por vingança dos ingleses, que tiveram uma cidade atacada por Hitler, mostrando bem que o olho por olho, dente por dente, não estava só na cabeça de Hamurábi, a cidade conseguiu reerguer sua catedral Nossa Senhora da Vitória, com as pedras da destruída, com donativos e documentos mandados do mundo todo.
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| Centro histórico em Bratislava |
Bratislava – Pois não é que em menos de três horas se conhece outro país ao lado da República Tcheca, sua ex-metade da laranja, Eslováquia? Então, no caminho para Viena, faz-se uma curva e se está na capital, Bratislava. Há um centro histórico pequenino, mas muito simpático e ficou desse tamanho porque os russos, naquela megalomania de URSS, derrubaram 45% do lado histórico para fazer uma ponte ligando os dois lados do Rio Danúbio. Ô gente sem cultura, cruz credo!


