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| Arco do Triunfo, ou da rua Augusta, de 1843 |
O que disse esta viajante dia destes sobre os sons do mundo? Que viu uns cantores ali pelo Chiado, uns no Largo do Carmo?
Pois "cesse tudo que a Musa antiga canta, porque um canto maior se alevanta". E tinha Camões razão em desdizer antigos saberes, como essa uma aqui faz agora. Os sons e artistas de rua do mundo estão na Rua Augusta, com seu belíssimo Arco do Triunfo abrindo-se para a Praça do Comércio.
Numa passada por lá no sábado, a caminho do show do Ney Matogrosso, a viajante constata que a rua tem o charme dos restaurantes e cafés, porque é uma calçada para pedestres, algumas lojas chiques, nem tantas mais, mas tem um mundo de artistas, para todos os gostos.
Viu um acordeonista muito bom. Duas espanholas dançando flamenco, sendo que a segunda dançou ao som de uma música francesa, vá-se entender os delírios artísticos. Um trumpetista, um trio com uma cantora de voz belíssima, que cantou uma música brasileira.
Mas a maior atração foi um homem tascando fogo no corpo. A viajante ficou por ali uns instantes, curiosa com as tantas gentes em volta do homem e ele só acendendo velas. Aí começou a passar o fogo nos braços, arh, que nojo!
Assovios e aplausos para o pirotécnico, quase Zacarias, o que levou a viajante a refletir que a humanidade é definitivamente escatológica, tragicômica, mas critica os homens-bomba, os autoincineradores orientais. Esses pelo menos têm um motivo religioso-político-filosófico.
A Rua Augusta é campeã de atrações esdrúxulas, filosofa, baratamente, a viajante.
