Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a descrição na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...
Após andar muito bem de braços dados com Saramago, tentando seguir seus passos, a viajante teve com ele sua primeira divergência, hoje. "Até que duraram muito as boas graças", diriam aqueles que a conhecem.
Foi na visita ao Castelo de São Jorge, que Saramago considerou menos significativo do que os de Marialva e de Monsanto. Mas como a viajante não os viu a esses, se encantou com o São Jorge, perfeita fortaleza medieval, do século XI, relíquia da presença moura na Península Ibérica. É a cidadela medieval Alcáçova. E melhor ainda, há vestígios de outros ocupantes naquela colina, datados do século VII A.C., como fenícios, visigodos, romanos. É um mergulho profundo no passado, na história, presente em pequenos artefatos, como potes, pratos, ossos, cerâmica diversa. Amuada com Saramago, a viajante viu ali o cenário perfeito dos livros de R.R Martin, Guerra dos Tronos, e se sentiu vingada.
E em relação à vista, é preciso concordar com Saramago: é uma visão inigualável de Lisboa, com a ponte 25 de Abril sobre o Tejo, o Cristo Redentor deles, do outro lado do rio, a Sé de Lisboa, e o casario de telhado vermelho. Só não se vê nenhum pavão ou cisne, como viu o escritor.
Vizinhos
Para chegar hoje ao Castelo de São Jorge, a viajante fez a costumeira descida a pé e descobriu outros vizinhos ilustres de sua rua, além do Jardim do Príncipe Real. O Tribunal Constitucional (Supremo), fica logo abaixo na sua rua (O Século). Depois um prédio muito bonito do Corpo de Bombeiros e a casa onde nasceu o Marquês de Pombal. Vizinhança fina!
Mas para o castelo toma o elétrico 28E, que é um passeio mais agradável do que subir mais de dois quilômetros ladeira acima. E o elétrico é mais caro do que o autocarro. Custa 3,50 euros, enquanto o autocarro custa 2,50, burrice desta anta que não comprou ainda um passe de transporte integrado.
Ao final do dia é voltar para casa a pé, dar numa praça chamada Alegria, descançar aí, vendo os idosos de papo e os pombos bebendo água da fonte com chafariz, que as há em todo lugar, e subir vendo um edifício meio árabe e descobrir que é a Casa de Macau, já quase na boca de sua rua.


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