![]() |
| Termas de Diocleciano abrigam Santa Maria dos Anjos e Mártires |
Na saída de Roma (uschita), ainda há tempo para aquele andar sem rumo, tão ao gosto da viajante. E nisso dá com uma igreja que não estava no programa, Santa Maria dos Anjos e dos Mártires, na Praça da República. É bem visitada, não como a do Vaticano, porque é preciso se eleger algumas igrejas, para não se ficar apenas no Ave Maria, Pai Nosso, Amém, então muita gente deixa de ir.
Santa Maria dos Anjos é, talvez, a maior surpresa de Roma não aquela badalação, como São Pedro e Santa Maria Maggiore. Não, não, a viajante não está sendo volúvel, já que elegera Maggiore, o mais precioso templo.
É que a dos Anjos tem história mais antiga. Está nas ruínas das Termas de Deocleciano, ruínas por fora, porque por dentro é um projeto de Michelângelo, encomendado por Pio IV, em 1561, diante do rogo de Santo Antônio Lo Duca, São Felipe Neri e San Carlo Borromeu, porque aquelas termas foram construídas com o sangue e suor dos primeiros cristãos e a igreja seria uma homenagem.
Afora o fato de ser projeto de Michelângelo, imagina se é pouco, e de ter um São João Batista do escultor francês Houdon, tão presente em obras de Portugal, segundo Saramago, Santa Maria dos Anjos e dos Mártires tem um meridiano que a atravessa longitudinalmente, com os signos zodiacais e seus solstícios de inverno e verão e ainda o equinócio, interessante mistura do sacro e do profano. E ainda, no dia, havia uma exposição sobre Galileu Galileu, isso mesmo, aquele que a igreja condenou por heresia e que se safou com o la terra no se mueve, y sin embargo, se mueve. Está ali sua escultura Lúcifer e uma invenção, o pêndulo, cópias, naturalmente.
E ao final ainda ver as quatro fontes, um pouco visitado monumento, porque está num cruzamento de esquinas estreitas e muito, muito movimentadas, com uma fonte e uma estátua em cada um dos quatro cantos, a merecer mais atenção das autoridades romanas, pelo estado de degradação, por causa da poluição dos carros, em que se encontram. Uma das fontes está no prédio da igreja de San Carlo Quatri Fontane, singela e também preciosa.
E para despedir, outra igreja, a de Santa Maria de La Vittoria, carmelita, e bastante rica, mas que tem um padre, que estava à paisana, muito estranho, porque enxota um grupo de turistas alemães, tão contritos coitados, já é meio-dia, hora de fechar, sinos tocando em todas as igrejas próximas. Mete-se o rabo entre as pernas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e passa-se logo abaixo para o Palácio Barberini, que não há mais tempo de ver, também de museus já se esgotou a cota, só os jardins.
Arriverderci Roma.

Que Basílica linda! Pois é, sempre fazem passeios das mais conhecidas e esquecem de outras que as vezes merecem mais a nossa presença. Depois de tantas e tantas entradas em igrejas acho que desejos são perigosos para o momento rsrs.
ResponderExcluir