domingo, 28 de outubro de 2012

Bom Jesus e Congonhas

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir..

Bom Jesus de Braga, mãe de Bom Jesus do matosinhos, Congonhas

Ainda não era para dizer que em Braga viu-se pouco, porque afinal, dia seguinte viu-se muito, não só com os olhos, mas com o coração. Assim é que ao chegar-se ao Santuário de Bom Jesus de Braga, não se encontra só a escadaria a subir para o Céu, para que a penitência de tantos pecados seja aceita. Talvez falte escada a alguns, pensa a viajante.

Já prevenida por informações de parecências com sítios mineiros, a viajante tem um oh!, oh!, assim que o ônibus acaba de subir o parque, que é bonito por demais e dá com uns canteiros magnificamente floridos, simétricos, desenhados caprichosamente. 

Mas alguns dos ohs são para o conjunto arquitetônico dentro e fora da Igreja do Bom Jesus de Braga. É a irmã mais velha do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, ali em Congonhas.
Morte de Jeus, em esculturas
Congonhas, com seu pátio de profetas, os passos da Paixão de Cristo ou Via Sacra, e o interior
da igreja, foi feita sob a
inspiração do templo de Braga, não é para menos, o senhor que mandou construir emCongonhas, piedoso, recebedor de uma graça divina era de
Braga, fica-se a saber agora. Então foi dizendo como era, como não
era, sem qualquer retrato, já que o tempo

de construção entre mãe e filha foi de

cerca de 30 anos, ambas século XVIII.

Dentro da igreja há uma belíssima

imagem de Nossa Senhora das Dores,

com sete espadas, que nunca essa uma

havia visto. E no altar, também uma

surpresa, uma representação da morte de

Cristo em estátuas em tamanho real, quase soltas, ao contrário de quase todas as igrejas, onde a vida e morte são pintadas. Na do Bom Jesus elas são quase reais, soldados romanos sentados ao pé da cruz, os dois ladrões, cada um na sua lateral de direito, a Virgem e algumas mulheres.
E no adro, os profetas, assim como os de Congonhas, a sofrer os efeitos do tempo, em menor grau, porque são de pedra granítica e não da de sabão, como as de Aleijadinho, que esfarelam com o tempo, mas esfarelam mais ainda com a poluição das mineradoras. A viajante pensou que deveriam importar a ordem religiosa que cuida do santuário daqui para Congonhas, para ensinar aqueles hereges a colocar tudo num parque muito bem cuidado, imenso e ainda por cima paisagístico. E vai-se embora ruminando raivas de mineradoras e de prefeitos e de vereadores.
Santuário do Sameiro
Sameiro - E para completar as visitações religiosas vai-se a outro sítio que tem uma vista preciosa de Braga: o Santuário do Sameiro, dedicado à Imaculada Conceição, cujo foi o primeiro a ser construído em homenagem à Virgem Maria, depois que a Igreja Católica reconheceu, oficialmente, o dogma da concepção virginal de Maria, em 1836, tão tarde assim?  Aí o João Paulo II foi lá numa época e o lugar é muito apreciado pelos portugueses, que são fartos de santuários, são, e não, estão. Fátima, Nazaré, Bom Jesus de Braga, Sameiro.

3 comentários:

  1. E daí a confirmação que fomos colonizados mesmo por portugueses. A 'parecência' é óbvia. E eu amo.
    ... mas e as comidinhas?
    Beijos

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  2. Vixi, nem fale. Estou com overdose de bacalhau e de doces. Mas acabo conhecendo doces novos todos os dias, como os toucinhos do céu, de Guimarães, muito gostosos, mas doces demais. E hoje, em Aveiro, comi o daqui, o famoso ovos moles. É gema de ovo pura, envolvida numa fina camada de um troço parecendo uma hóstia.
    Bjs

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