Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...
Nem comidas nem pontos turísticos, hoje só reflexões que a viajante faz, depois de ter deixado sua mala de brasileiro (apelido que dão nos EUA, por causa do tamanho e do exagero de compras) na casa de uma moça que acabou de conhecer em Lisboa.
E já explica: com a ida para outras paisagens, onde Saramago interfira menos, a viajante resolve deixar uma mala para trás, buscar depois, quando retornar a Portugal em fins de outubro, afinal abandonar Saramago é só "um tempo na relação". Ela o ama mesmo quando ele está intratável, coisas de todos nós que temos dores ocultas. E ainda tem muita estrada para ver, o Norte, por exemplo, onde nasceu seu avô, razão de sua busca.
A viajante conhece uma moça num salão de beleza e fala da mala e a moça, que é brasileira, casada com um açoriano, oferece-se para guardar o saco de brasileiro. Combinado tudo, hoje foram à casa e essa uma teve um choque grande.
A casa é um improviso, como é a vida de muitos imigrantes. Hoje se está aqui, amanhã já não mais. Assim é que o marido dela vai para a Noruega, porque não teve o contrato de trabalho renovado.
A crise ecnômica pega aqueles com pouca ou nenhuma formação acadêmica. Nem ela, nem ele, entao têm de ir aonde o emprego está, parodiando Fernando Brandt e Milton Nascimento.
Sua casa é transitória: mobílias, roupas, objetos que nem são pessoais. E vai-se vivendo um dia em Açores, outro em Portugal, outro na Noruega. Não há laços, não há casa, não há família, não há lugar.
A vida é que é intermitente e não a morte, recorda-se agora a viajante, puxando Saramago pelo braço, para lembrá-lo do livro que tanta estranheza lhe causou, As intermitências da Morte.
A vida é suspensa, é leveza insustentável no ar, Milan Kundera emenda.
E a viajante vai-se embora dali, do Rato, sem saber se verá sua mala de brasileiro de volta, afinal também tanta mala, o caráter, o juízo são insustentáveis, imponderáveis.
Vamos ver o que acontece nos próximos dias, longe de Portugal. A viagem prossegue, porque, afinal, o caminho para dentro é irreversível, para ficar nas palavras do impermanente.
Gente! Essa uma pirou de vez? Esse ar que vai passando europeu pela cabeça dela , acuda!!! Espero que tenha pelo menos levado com ela as compras atuais junto com a onça mãe é claro! E que tenha uma belíssima alias outra belíssima viagem! Fico aqui k no meu mundinho de lerê aguardando mais um passo dessa viajante. Boa viagem!
ResponderExcluirObrigada, fabricia.
ResponderExcluirPior é que as compras estão todas na mala de brasileiro. Mas a onça mãe stá comigo. Ou seja, se a moça resolver emigrar para a Noruega antes de eu voltar a Potugal, adeuses.
Reza aí pra nossa senhora do leite.
E por falar nisso, no Calouste tem uma Nossa Senhora amamentando, o menino jesus pendurado no peito dela. É linda, não pode fotografar, daí me esqueci de comentar na postagem.
Vc bebeu? Como assim deixou a mala num lugar que vc não sabe mais se estará com seus donos atuais? Porque não deixou na casa da capixaba, a dona do salão? Fala serio sem tons dramáticos a tal carioca te deu uma previsao de saída do lugar certo? Ainda da tempo de pegar a mala lá e pedir a capixaba, ou melhor, pagar a capixaba para guardar sua mala. Agora entendi o silencio sobre o combinado com a dona da casa que guardaria sua mala.!!!!!
ResponderExcluir