sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Península do Setúbal luxuriante

Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...
Convento da Arrábida

Vista das praias


Por causa de um atraso, perdeu-se um passeio programado, ganhou-se outro, provavelmente melhor. A viajante resolve fazer um passeio para Setúbal, porque queria ir na Quinta da Bacalhoa, na Quinta de José Maria da Fonseca, onde nasceram os vinhos Piriquita. E conhecer outros vinhos, já que Setúbal é o berço do moscatel.

Aliás, Setúbal parece Itu (SP). Lá tudo é o primeiro e o maior, a viajante fica sabendo por informações do taxista-guia que contratou. Tem os melhores peixes do mundo, a marca mais antiga de vinho tinto português (isso, o Piriquita), sem falar no famoso queijo de Azeitão, conforme vai explicando  José David, o simpático taxista versadíssimo na história do lugar. Dessa forma, a viajante viaja no tempo e vai ali pertinho, num lugarzinho chamado Vila Nogueira de Azeitão, onde está a Quinta da Bacalhoa, bonita de se ver e visitar, mas é preciso hora marcada, o que a viajante não tem.


 Quinta da Bacalhoa
A quinta foi comprada por José Berardo, o mesmo do museu, "dizem que o homem mais rico de Portugal", vai explicando José David, ao mostrar que os jardins da quinta têm várias obras de arte: um jardim japonês, esculturas de artistas portugueses famosos e uma estátua de Abrahan Lincon, que a viajante achou de gosto muito duvidoso. Natureza e arte se encontram na Bacalhoa, e história milina presente nas diversas oliveiras de mais de mil anos, pelo que está escrito nas placas com datas do plantio.

Berardo fez fortuna na África do Sul, como "garimpeiro, como se diz no Brasil, ah, pois, retirando ouro", diz José;  "retirando diamantes, isso sim", acrescenta a viajante opiniuda. A visita ao interior vai ficar para outra vez, quando essa aqui for mais previdente e agendar.

Península
Tudo compõe a Península de Setúbal, esclareça-se, não só a cidade, que na entrada parece bem com Contagem (MG), com suas chaminés de fábricas.

A península é abençoada com uma deslumbrante vista da Serra de Arrábida de um lado e o mar ou Rio Sado, de outro, porque aqui também há aquela confusão de mar e rio.

A serra está um pouco encoberta por uma névoa, o que a deixa mais bonita ainda, principalmente no ponto onde há o Convento da Arrábida, todo branco em meio à vegetação verdíssima, lá nas pirambeiras. Não contentes de construir ali arriba, os monges ainda construíram uma dezena de pequenas capelas, feito umas torritas, entremeadas floresta adentro, um encanto de se ver e de subir e descer, para aqueles de maior fôlego.

O Parque Nacional da Arrábida é patrimônio da humanidade, o que não impede a presença de uma fábrica de cimento dentro de seus limites, causando estranheza à viajante, "o que não é nada comparado à ideia que teve um dirigente, de instalar ali o lixão da localidade, pá", completa José.

Do lado do mar é uma sucessão de pequenas praias, escondidas em baías quase secretas. Figueira, Portinho, a primeira, maior, e a segunda, um encanto de cartão postal.

"E há grutas, a lapa de Santa Margarida é a mais conhecida, e uma cela romana naquelas pedras, que a gente ia quando miúdos, tudo hoje fechado",  acrescenta José.

E ainda se pode atravessar o Rio Sado, no ferry em Setúbal e ir à Troia, faixa de areia branca, com os hotéis de luxo, com águas de tons de verde e azul, a viajante vai sabendo pelo taxista-guia.

José morou em Bruxelas por anos a fio e resolveu voltar à sua terra, depois dos filhos crescidos, "às vezes meio ingratos, pois", confessa quando a conversa desce para as paisagens pessoais.

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