Coloquei Saramago e Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa) na bagagem, tomei emprestado do primeiro a narrativa na terceira pessoa (a viajante) e vim descobrir...
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| Fátima, sentuário |
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| Convento da Batalha |
O choque foi tão maior, por essa viajante não se lembrar nada da Armênia, nem onde fica, nem o que se fala lá, se é país islâmico. Foi uma descoberta, ainda mais, que além de Teló, a Anush conhece várias novelas da Globo e citou quatro ou cinco atores globais: Dalton Vigth, Giovana Antonella e, claro, Aracy Balabanian, afinal foi ela quem fez a D. Armênia, numa novela a duzentos anos atrás.
E aí ficamos sabendo, com muitos "sorry", por nossa ignorância, que o país está ali espremido entre a Turquia, Rússia e não sei mais quê e sofre grande influência da Itália, porque a garota citou todos carros italianos e o rapaz os times de futebol, indicando bem as preferências de cada qual, cuja é engenheira de informática, pelo que entendi, e cujo é advogado.
Ele, Arthur, não gosta dessa música brasileira, nem das novelas, "séries", como estavam a dizer em inglês. E a língua não é o árabe, como pensou a ignorante viajante, mas o armênio, uma das línguas mais antigas, informam os dois. E não pertencem ao Islão, quase "Deus me livre", eu entendi.
Fátima, Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Batalha
E nessa mistura multicultural, um casal italiano, um casal formado por uma indiana e um quenio-indiano, residentes há muitos anos em Londres, fomos para Fátima, Batalha, Alcobaça, Nazaré e Óbidos, num dia meio nublado e mais fresco.
Pela segunda vez em Fátima, a viajante se emocionou na Capela das Aparições e acendeu velas elétricas, com 50 cêntimos cada, para vários pedidos. E como os há.
Encantou-se de novo com o cristo de cabelo hirsuto da Basílica nova e só dessa vez descobriu que há 12 portas de entrada nela, uma para cada um dos apóstolos. Entrou pela de Simão, o Pedro, não por preferências outras, mas por ser a única aberta.
Gostou especialmente do convento de Batalha, dedicado a Santa Maria, para agradecer a vitória dos portugueses sobre os espanhois, na batalha de Aljubarrota, onde se consolidou Portugal como estado e o que é o mundo hoje. Se os espanhois tivessem ganho, certamente D. Henrique não seria rei e nem teria dado início`as grandes navegações, e o Brasil não teria sido descoberto, conclui, com praticidade, o guia Paulo, esse sim, conhecedor da história pátria dele. O convento é rendilhado como Jerônimos, mas não branco, mas aquele amarelecido de velho.
Em Alcobaça houve uma visita de médico pelo mosteiro onde estão enterrados D. Pedro I e dona Inês de Castro, aqueles dois infelizes romeu e julieta portugueses, das histórias de amores impossíveis. Agora e tarde, Inês é morta!
Nazaré é outra visita de médico, mas vale a pena pela vista do mirante. Um mar furioso lá embaixo do penhasco, onde se situa parte da cidade, sobre e sob.
E em Óbidos, a viajante desistiu de subir novamente aquela escadaria infernal da muralha que cerca a cidade. É um encanto de ruelas com muitas flores nas janelas, a cidade ali, abrigada por suas muralhas medievais, sob a vigilância do castelo, onde hoje está uma pousada muito bonita.
É tudo muito bonito, incluindo as tentativas de comunicação entre esta uma e o italiano. Nem inglês, nem espanhol, o italiano era só "dopo", "prego", "andiamo". E fomos caminhando pelo tempo que é Óbidos, enquanto a esposa esperava do lado de fora da muralha, já cansada de "iglésias, carina". Difícil impressionar quem vem da Itália, nesse ramo dos monumentos cristãos, pois.
Difícil também é explicar para a armênia, que Maria é a mesma mãe de Deus e Fátima também a própria. Os armênios falam perfeitamente o inglês, não falam as nuances religiosas, mesmo "sendo o país mais católico, do mundo ou da Europa", garante Anush, sem a compreensão correta dessa viajante.
Chove agora em Lisboa, quase 22 horas, uma chuva mansa, boa de se ouvir. Adeuses.


Cuma que essa viajante não se recordou das 12 portas? E pior. Se Portugal tivesse perdido a batalha teríamos sido colonizados pelos espanhóis e falaríamos espanhol como nossos amigos Argentinos, Uruguaios..... e por ai vai! Vixi quantos fora que a viajante cometeu com os Armênios. Menos mal que eles não são islâmicos! Mas esta viagem sim foi rica em cultura. Te deram um banho de aprendizagem e o bom elé que vc pode compartilhar comigo, com a Fabrícia e com aqueles que te seguem diariamente. Sucesso total! Ruibran informa: em BH fazem 17 graus em plena primavera. Que dia geladoooooo!!!!! E não precisa cair morta "ai se eu te pego" é linguagem universal via Michel Telô, ok!
ResponderExcluirA Arménia não fica perto da Romênia? Uma vez conheci um casal de Argentinos e fiquei impressionado com o qto ele sabia de nós e nós nada deles. E olha que somos vizinhos, heim!
ResponderExcluirÉ vc, Jader? Achei que eu estava no A Identidade Bourne!
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