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| Fachada do Mosteiro dos Jerônimos |
O Mosteiro dos Jerônimos é tão bonito, tão magnífico, que merece uma postagem à parte. A viajante não segue uma ordem de visitas. Vai e volta, como melhor lhe apetece. Por isso, acorda disposta a ir a Belém, que fica mais longe e não dá para ir a pé. Toma o autocarro 758, perto de sua morada, desce no Cais Sodré e pega o elétrico 15. Desce nos Jerônimos.
O impacto é enorme, assim como o convento, todo rendilhado em pedra branca. Suas obras começaram em 1501, a mando do Rei D.Manuel I, e nós, mal acabávamos de nascer.
Lá estão muitos reis enterrados, muitos homeageados e a igreja e capelas são primores de decoração de outros séculos, o que em nada retira seu brilho. Pelo contrário, cria aquela mistura de opulência, de que nós, que não somos versados em artes, só admiramos.
Há túmulos de reis, de escritores (Camões) e navegadores (Vasco da Gama) E Alexandre Herculano, em cujo túmulo está gravado " Dormir? Só dorme o frio cadáver que não sente. Alma voa e se abriga aos pés do Onipotente".
Menos grandioso, já em estilo moderno, é o túmulo de Fernando Pessoa: "Para ser grande, sê inteiro, nada. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive"- Ricardo Reis, 1933. Ambos estão no segundo piso do claustro.
Dentro da igreja há capelas luxuosas, como a da Sagrada Família, uma Nossa Senhora e um São José vestidos ricamente, o que justifica o dito bíblico, de "os últimos serão os primeiros", nem que seja em riquezas e posses.
No Capítulo, parte superior do claustro, há uma exposição com paineis de reis portugueses, em que não figura nosso D.João VI, e a recepcionista, sonolenta, não sabe explicar o porquê. Também não lhe interessa. O rei que fugiu de sua terra de mala e cuia e deixou os súditos entregues à própria sorte contra Napoleão, não goza de muitos afetos, já o confirma Saramago: ..."pois vá e vença a antipatia que sente por dois reis que lá viveram (Palácio de Queluz), aquele D. João VI e aquela D.Carlota Joaquina, senhora de mau porte, intriguista e ainda por cima feia como uma noite de trovões".



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